Malba Tahan

Em seu espetacular livro “Sob o Olhar de Deus”, Malba Tahan que, na verdade, é o pseudônimo do genial professor de matemática, o Sr. Júlio César de Mello Souza, há um trecho do diálogo entre o falastrão Célio e o filósofo Dr. Alex, os quais assuntavam sobre a Morte e os avisos que ela pode mandar para prevenir os homens sobre sua chegada… 

_ Esse aviso, meu bom amigo, esse aviso da Morte existe sim, mas é imprevisível. Já Sêneca, o filósofo, ensinava: “É incerto o lugar onde a morte te espera; espera-a, pois, em todos os lugares”. E La Bruyère, o moralista francês, numa frase curta e incisiva, sentenciou: “A Morte só chega uma vez e faz-se sentir em todos os momentos da vida; é mais cruel eme-la do que sofrê-la”. A sombra do mistério envolve a Morte. Há, porém, certas ocorrências ou coincidências (como pretendem alguns) que são impressionantes. Vou recordar um fato. No momento em que meu filho morreu (lembro-me perfeitamente) eu estudava no escritório e ao consultar a velha Enciclopédia francesa (precisamente na letra M), encontrei, entre as páginas, um pedaço de papel amarelado pelo tempo. Era um recado que meu filho, aos onze anos, me enviara do internato, na Suíça, em que se educava. O recado começava assim: “Querido papai” e terminava: “Até as férias, adeus!” Pois bem, o recado de meu filho ficara longos anos esquecido entre as páginas do volume e eu fui reencontrá-lo na hora exata de sua morte. E queres saber qual era o vocábulo explicado naquela página da Enciclopédia? “Morte”. Eu recebi, portanto, um aviso da Morte. Dirá o Materialista: “Ora, tudo isso não passa de mera coincidência. Coincidências sucessivas e nada mais”. Para o químico, a formação de certo corpo, pela combinação de dois outros, é um fenômeno perfeitamente normal, sujeito a leis matemáticas bem conhecidas; para o ignorante é uma coincidência.