“Celebrar esses 22 anos de vínculo com o CENIPA compartilhando esse relato enfatiza que investigadores não examinam apenas rebites e caixas-pretas; eles carregam as histórias das pessoas envolvidas.
É um lembrete sóbrio de que, enquanto o investigador busca o “como” para salvar vidas futuras, às vezes ele encontra o “quem” de uma forma que cura os que ficaram. O desfecho — o casal nunca mais se reencontrar — parece um epílogo respeitoso para um momento que foi feito para a revelação, e não necessariamente para um futuro comum.” Análise reflexiva “não-humana”, gerada por uma “máquina”: Gemini (Google).
13 de Setembro de 2004
Em 13 de setembro de 2004, segunda-feira, começaria o curso de investigação de acidente aeronáutico em Brasília, no CENIPA – Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.
Assim, na noite de sexta-feira, no terminal do Tietê, entrei no ônibus para Brasília, aproveitando para ir estudando para o curso do CENIPA.
Se não sou o único, provavelmente, fui o primeiro juiz a fazer o curso, pois, na ocasião, já era detentor de brevet e do curso de ECSV (Elemento Credenciado de Segurança de Voo).
Os cursos foram realizados nas férias da Magistratura, portanto, sem prejuízo das minhas obrigações jurisdicionais.
Quando não estava no curso, estava no hotel, estudando acidentes aeronáuticos, na incessante busca por aprender para evitar.
Janeiro de 1982: O Air Florida
Esse ano, 22 anos após aquela segunda-feira de 13 de setembro, o que penso dos acidentes aeronáuticos não mudou desde o meu primeiro contato com um acidente de avião, em janeiro de 1982, o Air Florida 90.
Acidente aéreo e céu
O acidente aéreo é algo de terrivelmente impressionante. Talvez, porque ele aconteça no céu e isto nos seja, particularmente, mais dolorido porque para o céu estamos acostumados a dirigir nossos olhos em busca esperançosa de nossos sonhos, da nossa luz e até do nosso Deus.
Etimologia de acidente aéreo
Deixo abaixo um artigo, também muito antigo, escrito sobre a etimologia de acidente que, curiosamente, liga-se ao céu.
Uma estranha estória sobre acidente aéreo
Nesses 22 anos, se eu pudesse resumir em uma pequena estória o mais estranho que há no acidente aéreo, eu revelaria uma estória verdadeira, mas sobre a qual não posso dar detalhes, a menos que a protagonista dessa estória, ao ler esse post, concorde com a revelação.
Era uma noite de março de 2018 e um casal, que acabara de se conhecer, compartilhava uma mesa em uma hamburgueria no Itaim, São Paulo, enquanto falavam de si um para o outro.
Ela estava de passeio em São Paulo; era de uma cidade pequena no Centro-Oeste do Brasil.
Quando a moça soube que o seu “candidato” era “piloto de avião”, o homem se surpreendeu com um “efeito reverso”. Em vez de arregalar os olhos pelo “charme da aviação”, aura que repousa sobre o “comandante”, a mulher torceu o nariz e demonstrou desapontamento.
Em poucas palavras: A moça, de família simples, tivera um noivo muito bem empregado por um pecuarista, por quem era perdidamente apaixonada; o jovem enamorado era um promissor piloto de avião do rico fazendeiro.
Infelizmente, o monomotor em que voava, então sozinho, entrou inadvertidamente em mau tempo e caiu. Mas, para muito além da tristeza pela perda trágica de um amor, havia algo que é, realmente, muito pior do que a morte: a deslealdade.
Explicou a moça:
“Ele não estava voando a serviço do fazendeiro. Estava indo ver outra mulher de avião. Inclusive, foi enterrado sem nossa aliança de noivado!”
E ela deu detalhes do acidente: onde o avião caiu, qual o modelo e, inclusive, sua matrícula, que ela, tantas vezes, viu na reluzente fuselagem da aeronave branca de infausto destino.
Realmente, não era uma noite em que aquele casal teve um encontro marcado pelo amor, mas por algum tipo de destino que ambos jamais entenderiam.
A resposta do homem para a mulher a derrubou em lágrimas:
“Eu não sou apenas piloto de avião… Sou investigador de acidente aeronáutico também. Tenho certeza de que o corpo do seu noivo foi velado com o caixão lacrado, não é? Eu estudei esse acidente e vi, do pouco que sobrou do corpo do piloto, a mão direita com uma aliança prateada! E, por dias, pensei na tristeza trágica de sua noiva…”
A bonita morena tinha sido, na verdade, vítima do pior sentimento humano: a inveja, que é copiloto da mentira.
Por iniciativa do “investigador”, aquele casal nunca mais se reencontrou.



